A Casa Desabitada

A Casa Desabitada


Um momento
Um curto e intenso momento
Roubado pelo tempo
Que assim que abro os olhos
Já se foi.
Quero agarrá-lo com força, mas já se foi.
O tempo,
Que me escapa por entre os dedos
Recordando-me que um dia termina,
As pessoas que vivem apressadas
Que olham para o relógio constantemente
Com medo de terem perdido alguma coisa.
Passo por cada uma delas
E no fim são todas iguais
Têm os olhos pesados e vazios,
O rosto tenso,
Como quem não habita a própria casa…
Todas trilham o mesmo caminho
Porque ninguém sabe ser sozinho
E têm medo
Vivem no futuro e para o futuro
Tudo o que fazem é construir projetos inúteis
A preencherem-se durante horas com aquilo que não as preenche
Mas apaga momentaneamente
A ideia da casa desabitada
Consomem todo o tipo de coisas
Até se sentirem completamente consumidas
E esquecidas
De que existe um amanhã
E que o amanhã é o dia de ontem e o dia de ontem é o dia de hoje
Não há qualquer brilho na palavra
Pois jamais sairão daqui
Mesmo quando pensavam que eram só mais uns anos
Só mais umas coisas que têm de fazer
Porque se sentem obrigadas a fazê-las
Por acharem que se não as fizerem
Vão perder alguma coisa
Quando a única coisa que estão a perder
São elas mesmas.

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