Será o fim da homofobia na dádiva de sangue?

Será o fim da homofobia na dádiva de sangue?


A homofobia na dádiva de sangue em Portugal não é novidade para ninguém. Até 2016, qualquer homem que tivesse alguma relação sexual com outro homem estava impedido de doar sangue, mesmo que isso pudesse salvar uma vida. É também nesse ano que regra deixa de existir, no entanto, isso não impede as autoridades de saúde de tratarem esta população de forma diferenciada. Segundo a interpretação que fazem da norma da DGS, as autoridades de saúde, afirmam que a comunidade de homens homossexuais e bissexuais são um grupo com comportamentos de risco, estando mais vulneráveis a infeções sexualmente transmissíveis, do que a restante população, um estereótipo distante da verdade, que perdura desde os anos oitenta.

Segundo a norma da Direção Geral de Saúde, publicada na passada semana, no dia 19 de março de 2021, a homossexualidade deixa, finalmente, de ser um fator delimitativo à dádiva de sangue. No início do mês de março, o Ministério da Saúde já tinha anunciado que a norma de 2016, que definia os critérios necessários para alguém ser dador de sangue, se encontrava num processo de revisão, após a criação de um grupo de trabalho com esse objetivo.

Apesar da norma, de 2016, ter posto fim à proibição da dádiva de sangue por homens homossexuais e homens que têm relações com outros homens, as autoridades de saúde continuam a tratar a população de homens homossexuais e bissexuais de forma discriminativa, impondo abstinência sexual durante 12 meses para ser permitida a doação de sangue, mesmo que não haja mudança de parceiro. Embora esta norma não impedisse diretamente que homens homossexuais e bissexuais de doar sangue, não era explícita o suficiente quanto ao facto de estes não poderem ser excluídos.

Este tópico ganhou ainda mais relevância com o testemunho de Bruno Gomes D’Almeida, através das redes sociais, no passado mês de janeiro. Bruno afirma ter sido vítima de discriminação ao preencher o formulário obrigatório, antes da dádiva de sangue, através de justificações dadas pelos profissionais de saúde, como “homens que fazem sexo com homens não podem doar sangue”. Esta questão torna-se ainda mais urgente devido à pandemia que enfrentamos e à quebra das reservas de sangue, resultado desta última. Mas afinal o sangue de homens homossexuais ou bissexuais não pode salvar vidas?

Este é um assunto importantíssimo de se abordar, pois, segundo a ILGA Portugal, em janeiro deste ano, cerca de 3 homens por semana foram impedidos de doar sangue pelas razões supracitadas, e ainda acrescenta, em declarações à Agência Lusa, que “sempre que existe um apelo à doação de sangue aumentam significativamente as denúncias de homens que se sentem discriminados por lhes ter sido recusada a possibilidade de doar sangue”.

Desta forma, esta nova norma é um passo crucial no combate à discriminação, contudo ainda existe um longo caminho a percorrer.

Ah! E não se esqueçam: caso possam, doem sangue. <3

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