Do desporto escolar ao desporto universitário é apenas um pequeno passo

Do desporto escolar ao desporto universitário é apenas um pequeno passo


Pandemia à parte, sabemos que há sempre coisas que mudam naturalmente entre os anos de ensino secundário e os anos de licenciatura… e o desporto é uma delas. O nosso movimento não pode parar.

Não posso falar por todos e por isso é preciso que conheçam a minha realidade primeiro: tenho vinte e um anos e estou a terminar a minha licenciatura em Ciências da Comunicação no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP – ULisboa). Durante ano e meio integrei a equipa de voleibol da nossa ESPAA e participei nos campeonatos Regionais e Nacionais 2017/2018 de desporto escolar. Já na faculdade, faço parte da equipa de vólei da AEISCSP desde o primeiro treino da época 2018/2019 – e aqui reside logo uma das grandes diferenças entre o desporto escolar e o desporto universitário: o papel da Associação de Estudantes. Também não há escalões, nem limites de idade. E o último ano do curso não tem de ser necessariamente o último ano de prática desportiva universitária, como acontece no secundário. Mas vamos por partes:

Quem pode participar?

Em Lisboa, para participar em qualquer prova de desporto universitário, é necessário 1) estar matriculado no ano corrente em cursos e Instituições de Ensino Superior (IES) na Área Metropolitana de Lisboa ou 2) ter concluído um curso numa IES no ano letivo transato. Ou seja, eu posso ser atleta universitária em Licenciatura, Pós-graduação ou Mestrado e, além disso, posso também sê-lo no ano seguinte à conclusão do curso, mesmo não estando matriculada. Como as provas se realizam segundo o regulamento da Associação Desportiva do Ensino Superior de Lisboa (ADESL), é necessário 3) estar inscritos na plataforma da ADESL como atletas e ter os documentos atualizados – fotografia, cópia do Cartão de Cidadão, Certificado de Matrícula e exame médico.

Como funcionam as inscrições? E os treinos?

Nos campeonatos e provas universitárias existem modalidades coletivas e modalidades individuais. Em qualquer dos casos, as equipas inscritas podem representar, e na sua grande maioria representam, as Associações de Estudantes da faculdade a que os atletas pertencem – como por exemplo o fazem pela AEISCSP, pela AEISEG ou pela AEIST, mas podem também representar a Instituição de Ensino Superior em si, como a NOVA ou a Universidade Católica Portuguesa (UCP).
No caso das modalidades individuais, à semelhança do que acontece no ensino secundário, a inscrição das equipas está dependente do número de estudantes interessados em competir – mas estando salvaguardada a inscrição da equipa por número suficiente de atletas, é possível, consoante o interesse de cada AE ou IES, integrar a equipa sem participar na competição. Habitualmente, as inscrições realizam-se pelo Departamento do Desporto e representam um custo entre 10 a 20€, dependendo da Escola, e cobrem o exame médico, os treinos e o equipamento para os jogos, a não ser que este possa ser vendido.
Não havendo atletas suficientes, as AEs ou as Escolas de uma mesma IES, podem constituir uma Equipa de Fusão – por exemplo, uma equipa com estudantes do ISCSP e Faculdade de Arquitetura (FAUL), dado que ambas pertencem a Escolas da Universidade de Lisboa. Contudo, por norma abrem tantas modalidades quantas tiverem interessados e na eventualidade de se apresentarem, pelo contrário, demasiados alunos, as equipas podem passar por um processo interno de captação.
Relativamente às modalidades individuais, o campeonato é apenas nacional e realiza-se sob o regulamento da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU). Podem participar, através das respetivas AEs ou IES, todos os estudantes que cumpram os critérios 1) ou 2) já referidos. A grande diferença é que não se realiza um acompanhamento da prática do atleta – são os próprios que asseguram os seus treinos em clubes ou associações externas e participam depois pontualmente em representação da sua faculdade.
Em Lisboa, as modalidades coletivas são o voleibol (F/M), o futsal (F/M), o andebol (F/M), o basquetebol (F/M), o futebol 11 (M) e o rugby 7s (M) e os estudantes podem estar inscritos em mais do que uma modalidade ao mesmo tempo, desde que representem a mesma AE ou IES. Exemplos de modalidades individuais a nível nacional são o bodyboard, a canoagem, a equitação, o futevólei, a natação, o voleibol de praia, o xadrez, entre muitas outras.

Como funciona cada competição?

Uma vez inscrita a equipa, a competição tem oficialmente início aquando do sorteio e divulgação do calendário de provas e jogos pela ADESL. As fases de apuramento e final fours dependem do número de equipas de cada divisão, mas decorrem sempre ao longo de todo o ano letivo. Esta é outra particularidade do desporto universitário: consoante o desempenho da equipa em cada modalidade, integrará a 1ª ou a 2º Divisão.
Para as modalidades individuais é estabelecido um calendário pela FADU e as provas decorrem também ao longo do ano letivo.

Mas competir não consome muito tempo? Não dificulta a adaptação?

Pelo contrário, só facilita. Quer a nível a pessoal, quer a nível da integração.
É verdade que no início a experiência pode ser semelhante a uma “queda livre”, mesmo que nos achemos as pessoas mais de pés assentes da terra; mas se há partes do nosso dia-a-dia que não se podem perder, principalmente numa fase de transição para um percurso que vai ser tão importante para nós, a prática física e desportiva é uma delas.
Enquanto no secundário temos inevitavelmente aulas de educação física, na faculdade temos de ser nós a procurar essa atividade tão fundamental para o nosso bem-estar. Mantermo-nos ativos e praticar um estilo de vida saudável apenas favorece uma boa adaptação, porque pelo menos mantivemos essa parte da nossa rotina: o movimento. E este movimento pode ser realizado quer pela prática coletiva e de representação universitária, quer pela prática individual e independente, por exemplo mantendo rotinas de exercício físico ou procurando integrar clubes/associações ou ginásios – a Universidade de Lisboa também disponibiliza programas de ginásio (na Cidade Universitária e no Pólo da Ajuda) e acesso à piscina (apenas da Cidade) com mensalidades a partir dos 20€ e permite ainda o acesso aos pavilhões e aos campos do Estádio Universitário.

Embora a pandemia tenha suspendido a maioria das provas de modalidades coletivas, foi possível retomar-se durante o 1º semestre (outubro – dezembro de 2020) o campeonato da 1ª Divisão – tendo sido suspenso novamente no final do ano. De momento, estão apenas a realizar-se os Campeonatos Nacionais Universitários (CNUs) das modalidades individuais, consideradas de baixo risco.
Agora que já sabes como funciona o desporto universitário e crendo que voltará na sua totalidade no próximo ano letivo, que tal começar a retomar o movimento?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao Topo