Um ano de Novos Talentos: À conversa com as vencedoras

Um ano de Novos Talentos: À conversa com as vencedoras


As Movin’Art foram as vencedoras da 13ª Edição dos Novos Talentos. Hoje, um ano depois, falamos com o grupo para saber como estão as bailarinas.

•    Alô meninas. Antes de começar, gostaria que falassem um pouco sobre a dança contemporânea.

Olá! Para nós, a dança contemporânea é a arte que nos permite exprimir emoções e sentimentos através do movimento. É uma atividade física exigente que gasta a nossa energia física, mas repõe a nossa energia espiritual.

•    Como surgiu este grupo?

Foi uma coincidência, na verdade. Já dançávamos juntas no grupo de dança contemporânea municipal de Portimão e juntámo-nos a pedido da nossa professora Nilsen Jorge para uma competição. A nossa química foi evidente desde o início.

•    O que vos levou a participar?

Estávamos à procura de um desafio diferente e, como grupo, concluímos que a participação neste concurso seria uma excelente forma de nos superarmos como artistas. Quando foi divulgado o cartaz dos Novos Talentos 2020, estávamos a preparar-nos para a competição Dance World Cup 2020 e surgiu a ideia de nos inscrever-mos nos Novos Talentos. Queríamos, acima de tudo, trazer algo inovador ao público.

•    Contem-me um pouco sobre como desenvolveram a vossa atuação.

A coreografia foi feita pela nossa professora, Nilsen Jorge, com o intuito de a levarmos para a competição DWC. No entanto, já que a data da competição era tão próxima da dos Novos Talentos, decidimos aproveitar essa mesma coreografia, com a autorização da nossa professora, acrescentando um toque pessoal de cada uma de nós: passaram-se semanas a preparar o nosso texto, as luzes, o figurino e o nosso cubo, para além do aperfeiçoamento da coreografia.

•    Que dificuldades encontraram ao longo deste percurso?

Dificuldades não nos faltaram… mas ultrapassamo-las juntas com muita persistência. A construção do cubo foi, sem dúvida, dos aspetos mais difíceis, porque foi necessária uma grande capacidade de adaptação aos materiais a que tínhamos disponíveis. A construção do texto também foi demorada devido às críticas divergentes de cada, a fim de encontrar as palavras certas para a nossa performance. Para além disso, estávamos habituadas a transmitir uma mensagem através de movimento e fazê-lo por palavras acabou por ser um grande desafio que, no fim, acabou por nos fazer evoluir como artistas. Passar de fazer a coreografia na garagem da Mariana e na cave da Leonor, para um palco tão amplo e de estrutura peculiar como o dos Novos Talentos exigiu uma grande adaptação da nossa parte. Outro obstáculo foi a criação do nosso esquema de luzes, que acabou por sofrer várias alterações, devido às limitações encontradas. Apesar de tudo, ficou melhor do que qualquer uma de nós esperava! Criámos o nosso próprio ambiente.

•    Que mensagem queriam transmitir e como foi o processo criativo dessa mensagem?

Para a nossa atuação criámos um texto que transparecesse a nossa mensagem: Liberdade e Sonho. Através do cubo, exprimimos a enclausura imposta pela sociedade aos nossos pensamentos. Vivemos na ilusão de que a nossa identidade é rejeitada pela sociedade e acabamos por nos deixar “levar pela corrente”, sendo sabotados pelas nossas próprias inseguranças. A mensagem que queremos transmitir é algo muito importante para nós: não temos de desistir dos nosso sonhos só porque divergem da normalidade em que o mundo aparenta estar formatado. Um sonho que não é nosso não passa de “um vislumbre distante do que é certo”. Com a nossa atuação quisemos fazer o público despertar!

•   E como foi para vocês a sensação de vitória?

Até hoje não temos as palavras certas para descrever o que sentimos no momento em que foi anunciado o vencedor. Passou a correr: a ânsia, a exaustão, a felicidade e a euforia. Fomos tão felizes. Aliás, somos! As memórias da nossa atuação arrepiam todas as vezes que clicamos no play. Nenhuma de nós tinha a sensação de que íamos ganhar, não por falta de confiança na nossa atuação, mas pelo reconhecimento da qualidade das outras atuações. Foi gratificante poder finalmente mostrar uma atuação que demorou semanas, ou mesmo meses, a desenvolver. E foi ainda mais gratificante receber o devido reconhecimento.

•    Que agradecimentos gostariam de fazer?

Aos olhos do público fomos só cinco, no entanto foi necessário uma equipa maior para concretizar a nossa atuação. Em primeiro lugar, queremos agradecer à nossa professora Nilsen Jorge: ensinou- nos a dançar, a sentir e a dar tudo de nós nos momentos rápidos e ofegantes de uma atuação. Foi quem realizou a coreografia e sem ela não estaríamos juntas hoje, nem teríamos conseguido desenvolver esta atuação. Queremos agradecer aos nossos familiares pela ajuda incansável na construção e cobertura do cubo, no figurino e à voz-off (João Barata). Também à nossa Matilde Theriaga que foi incansável no que toca à iluminação. Conseguiu, sem dúvida, concretizar o que idealizámos! Queremos agradecer ao Pedro Tinoco, pelo seu excelente trabalho ao juntar as músicas e o texto de forma tão especial. Por fim, um enorme agradecimento à Associação de Estudantes da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes pela elaboração do espetáculo e oportunidade.

•    Para finalizar, estamos ansiosos para saber o que é feito do vosso prémio! Que novidades vêm aí?

De momento, estamos a trabalhar nele juntamente com a Kimahera. Podemos dizer que será um vídeo repleto de surpresas. Estamos apenas à espera do melhor momento para continuar com o desenvolvimento do nosso projeto, devido à situação atípica em que nos encontramos, vimo-nos forçadas a fazer uma pausa. Mas estamos ansiosas para partilhar tudo isto com vocês!

“O sonho, que de mim faz quem  sou”

Brevemente,
Movin’Art

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