Esquerda vs Direita: Portugal

Esquerda vs Direita: Portugal


Nunca entendeste muito de política e gostavas de entender mais? Este artigo é para ti.

O conceito de “esquerda versus direita” surgiu da Revolução Francesa do século XVIII onde, em reuniões do parlamento francês, aqueles que eram a favor da Revolução se sentavam à esquerda do presidente parlamentar, enquanto os que apoiavam a Monarquia se posicionavam à sua direita. Ao contrário de outras conceitos como “liberal, conservador, libertário, autoritário…” estes termos são puramente geográficos e não possuem valor político intrínseco. 

Três séculos depois, com a emergência de novos interesses e reivindicações, a complexidade do espectro político aumentou e, consigo, a necessidade de criar novas categorias dentro do mesmo. O espetro político evoluiu para: extrema-esquerda, esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita, direita e extrema-direita, sendo que a linha que separa uns dos outros é bastante ténue. Neste novo contexto, situam-se nos extremos os grupos mais radicalistas e à medida que nos deslocamos para o centro vamos encontrando aqueles com ideais mais moderados e com mais atração eleitoral. Atualmente, a esquerda inspira-se em ideias socialistas e comunistas e é por isso comum encontrarem-se na esquerda grupo como os progressistas, os ambientalistas, os social-democratas, os sociais-liberais, os comunistas e os anarquistas. Enquanto a direita se inspira no capitalismo e liberalismo e conta com o apoio dos capitalistas, neoliberais, conservadores, económico-libertários, neoconservadores e nacionalistas. Na política portuguesa, e apesar desta categorização depender da presidência e representantes atuais de cada partidos, podemos caracterizar os partidos com representação na Assembleia da República da seguinte forma: Partido Comunista Português (PCP), o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Ecológico (Os Verdes)  na esquerda, o Partido Socialista (PS) – atual governo – no centro-esquerda, o Partido Social-Democrata (PSD) – partido do atual Presidente – no centro direita, a Coligação do Centro Democrático Social e do Partido Popular (CDS-PP) e a Iniciativa Liberal (IL) na direita e o Chega (CH) na extrema-direita. Existe ainda o Partido das Pessoas, Animais e Natureza que se considera sincrético por não encaixar no espectro-político convencional. Assim sendo, é possível apoiar qualquer um dos lados sem se estar a adotar uma posição comunista ou fascista.

Uma vez compreendida a complexidade e constituição do espetro-político em Portugal passemos então para os ideiais destas duas ideologias. A maior distinção perdura no que cada um considera ser o papel intervencionista do Estado e os direitos individuais dos cidadãos. À esquerda idealiza-se um Estado interventivo que garanta a igualdade de direitos com vista o bem-estar social; à Direita procura-se uma intervenção mínima que se reflete na autonomia privada para que os indivíduos e as empresas criem esse bem-estar social. Para atingir esse objetivo, a Esquerda defende a despesa pública e o pagamento de impostos (proporcional e progressivo, de acordo com os rendimentos de cada um) pelos indivíduos e as empresas para que estes dinheiros sejam investidos na criação de sistemas de saúde e educação públicos e gratuitos; a Direita favorece a redução da carga de impostos com vista a aumentar o poder de compra e investimento do setor privado e dos indivíduos que obtêm assim capacidade de pagar esses serviços, contribuindo para o estímulo da economia. Costuma caracterizar-se a Esquerda pela defesa dos trabalhadores por acreditarem que a justiça social só será obtida através de condições de trabalho e salários justos e a Direita pela defesa do patronato por acreditarem que se as empresas tiverem condições irão pagar melhor e empregar mais pessoas.

No âmbito das questões de cariz social como o aborto, eutanásia, barrigas de aluguer, casamento e adoção por casais homossexuais, entre outros, existe uma tendência para uma Esquerda progressista, a favor destas mudanças e de uma Direita tradicional/conservadora contra as mesmas. No quadro das alterações climáticas, trata-se de uma questão prioritária onde a esquerda se revê fortemente enquanto a direita põe em segundo plano priorizando a liberdade das empresa, mas não deixando de apresentar medidas nesse sentido. Estas questões acabam por não ser características de nenhum dos lados do espectro, devendo o eleitor procurar no plano eleitoral dos partidos as medidas propostas neste quadro.

Finalmente, é importante reter que no sistema político o objetivo será encontrar um partido com o qual nos identificamos mais, visto ser difícil, que algum nos represente integralmente. Daí a importância da existência de um espectro político variado e flexível visto nada impedir que alguém que apoie a justiça salarial seja contra o aborto ou alguém liberal procure políticas amigas do ambiente. É possível encontrar no centro partidos que procuram responder a todos estes assuntos de forma balanceada, atendendo às várias temáticas com graus prioritários diferentes dependendo da sua inclinação.


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