Dar a conhecer… José Tengarrinha

Dar a conhecer… José Tengarrinha


José Manuel Tengarrinha (1932-2018)

Sendo este jornal escolar dirigido por alunos e para alunos gostaria de como professor recordar um ilustre docente que por razões políticas, entre muitas outras coisas, foi impedido de exercer a sua profissão no ensino secundário.

Chama-se José Manuel Tengarrinha e nasceu na nossa cidade, em 12 de Abril de 1932. Estudou no Liceu Municipal Infante de Sagres, em Portimão, nos anos de 1942 a 1946, acabando por concluir o ensino liceal em Faro. Com 17 anos foi viver e estudar para Lisboa. Em 1958 concluiu a licenciatura em Ciências Históricas e Filosóficas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Pela sua atividade política na luta contra o regime ditatorial de Salazar foi várias vezes torturado e preso no Aljube e no dia da Revolução dos Cravos cumpria pena na cadeia de Caxias, sendo apenas libertado no dia 27 de Abril de 1974.

Foi jornalista e chefe de redação de jornais inovadores e revistas de referência, foi deputado na Assembleia Nacional, foi fundador e dirigente nacional do MDP-CDE (Movimento Democrático Português-Coligação Democrática de Esquerda). Foi professor universitário e doutorou-se em História em 1993. Escreveu centenas de artigos e publicou dezenas de livros em Portugal e no estrangeiro, no domínio da História e das Ciências Sociais.


Dos tempos em que foi aluno do ensino secundário, José Tengarrinha mostrou a sua apetência para o jornalismo ainda que a actividade editorial dos alunos do liceu fosse escassa e irregular. Recorda-se que fez, nos anos 40, um jornal manuscrito com colegas, 0 Liceu, que continha basicamente notícias sobre a escola: “Não eram mais do que 3 ou 4 páginas: eu escrevia e depois havia uns colegas que o reproduziam à mão, isto é, que o copiavam. Depois vendia-se a 2 tostões”. Recorda também desses tempos que a tradição de realizar festas no liceu estava ligada à Mocidade Portuguesa: “No Liceu de Portimão fomos todos obrigados a comprar farda. Quem não tivesse farda tinha falta e chumbava por faltas. Os alunos desfilavam pelas ruas, com tambores e bandeiras, e fazendo a saudação nazi. Estávamos organizados naqueles grupos típicos da Mocidade Portuguesa e alguns chefes de agrupamento eram antigos alunos do liceu, rapazes mais velhos, alguns já conotados com o regime, que eram chamados a comandar os miúdos do liceu”, conclui.

Para terminar, as palavras do seu biógrafo Viriato Soromenho Marques: “Em Tengarrinha, as duas paixões são praticamente gémeas: por um lado, a generosa dádiva cívica, em favor da elevação cultural do debate praticado no espaço público; em segundo lugar, uma dedicação constante e amorosa ao conhecimento, ao prazer do estudo e da investigação científica, e, sobretudo, o cuidado constante pela memória histórica, cultivada com rigor crítico.”

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