Estará o nosso caminho para a liberdade completo?

Estará o nosso caminho para a liberdade completo?


Venho contar-vos sobre a reflexão que fiz na sequência do passado dia 25 sobre a importância que a liberdade ocupa nas nossas vidas. Poder amar. Poder fazer. Poder lutar. No fundo, liberdade é poder.

Segundo o dicionário, a liberdade consiste no “direito ou condição do que pode agir e pensar de acordo com a sua vontade, livre de qualquer coerção ou impedimento”. Dito desta forma, parece algo de tão simples alcance e manutenção. No entanto, nos dias que correm, o sentido desta revela-se bem mais complexo na prática do que na teoria. 

A luta pela liberdade já percorreu um longo caminho, que na verdade está longe de estar completo. Nunca poderá estar. A liberdade é como a confiança: difícil de conquistar, mas muito fácil de perder. Assim que a tomamos como garantida, escapa-se-nos pelas mãos de uma forma extraordinariamente subtil e silenciosa. 

Em Portugal, naquele dia de primavera de 1974, os militares da MFA revoltam-se e o povo oprimido adere também à revolução que colocou um fim à repressão e opressão que triunfava há mais de 40 anos. O povo viveu intensamente a felicidade daquele dia e cantou à vitória, à liberdade e à revolução, apesar de ainda não garantidas.
Após o 25 de abril, a busca pelo sucesso da revolução continuou. O período que sucedeu a revolução retrata uma época extremamente difícil e decisiva para o futuro português.
 O caloroso verão de 1975 revelou-se também escaldante para a política do país – o “Verão Quente” foi um dos momentos mais complicados do processo revolucionário, já que as forças políticas se encontravam divididas entre as que defendiam uma via eleitoral e as que defendiam uma trajetória revolucionária. 
O nosso país parecia, então, estar condenado à instabilidade e aos extremismos políticos. A resposta militar do dia 25 de novembro de 1975 colocou, finalmente, um fim aos radicalismos e àquele que foi um quente e longo verão, permitindo assim ao país evitar a afirmação de mais um extremismo (neste caso de extrema-esquerda) e até o despoletar de uma guerra civil.

Mas cuidado! Assim como após o 25 de abril de 1974 a liberdade não estava completamente garantida, hoje também não está. É uma vontade que nasce profundamente no interior de cada um de nós e que é digna de ser manifestada para o exterior… mas como? Assegurando que a nossa vontade e opinião são ouvidas e representadas na sociedade. Isto é possível sempre que formos conscientes de que a nossa liberdade não acaba apenas quando a do outro começa, mas também quando nos acomodamos e não tomamos uma posição no sentido de perservar ou enfrentar qualquer coisa que ameace algo tão bonito como o livre-arbítrio.

Não devemos tomar a nossa liberdade como adquirida. É uma questão muito importante para refletirmos como sociedade, sobretudo nos dias de hoje e em datas como esta, uma vez que a nossa liberdade se encontra cada vez mais diferente daquilo que costumávamos conhecer. Contudo, ainda temos liberdade de expressão que me permite, felizmente, escrever este artigo para o NewsPoeta!

“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo”

Sophia de Mello Breyner Andresen, 1974

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